21/04/21

Hoje fez um ano. Não era sobre isso que eu pretendia desabafar. Mas veja, como não passar o dia inteiro pensando nisso. Eu não lembrava que era hoje. Porque nã época, na hora que eu recebi a notícia, o mundo ruiu e o tempo parou. Ou voltou atrás. Ou correu. Não sei bem, só sei que perdi a data. E durante bastante tempo eu evitei pensar sobre. Até me sentir bem o suficiente pra tocar no seu nome de novo, com cuidado, porque as pessoas que conviviam contigo tiveram tempos diferentes pra conseguir lidar com a tua partida. A volta ao trabalho foi dolorosa. Silenciosa nos primeiros dias. Todo mundo sentiu que faltava alguém, faltava você lá. Brigando, xingando os clientes, falando mal de ~certas pessoas~. Foi difícil. Absolutamente qualquer coisa lembrava você. E o teu nome vinha na ponta da língua. Mas quem tava lá comigo, tava preparado pra ouvir? Porque foi difícil. É difícil. E é um tema polêmico, desconfortável, desesperador. A tua partida, ainda mais da forma que foi, foi o nosso elefante no meio do salão por muito tempo. Talvez ainda seja as vezes. Ainda dói. Ainda incomoda. Todos os dias eu me pergunto como seria se...? Se você tivesse aqui, como estaria lidando com a pandemia, por exemplo. Como teria reagido ao surubão no teu restaurante favorito? Com quais palavrões já teria xingado o presidente? Não tem um único dia que eu não pense, me pergunte, deseje... Eu sei que no fim, pra ti, foi um alívio. Porque a dor, amiga, eu conheço bem. E eu me vi em você tantas vezes. E desejei ter a mesma coragem outras tantas.

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